O transporte urbano influencia o preço do metro quadrado de regiões próximas às linhas e estações, foi o que constatou uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB). No estudo – resultado da dissertação de mestrado de um dos alunos da instituição – foram analisadas duas cidades do DF: Águas Claras, a 20 km do Plano Piloto e servida pelo metrô, e Sudoeste, ao lado de Brasília, cujo serviço público de transporte é feito apenas por ônibus.
A pesquisa reuniu dados da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) num intervalo de 10 anos. No Sudoeste, a evolução dos preços foi de até 1.120% e em Águas Claras, de 800%. A diferença nos preços do metro quadrado se acentuou no início da operação do metrô, em 2000: houve uma elevação de preços, em Águas Claras, após o transporte de passageiros por esse meio começar a operar.
Águas Claras e Sudoeste foram construídos praticamente na mesma época. E ao contrário do que ocorreu em outras cidades dependentes de metrô, a pesquisa mostrou que essa influência foi menos forte do que se esperava. Essa ocorrência foi explicada pelo fato de que, à época da pesquisa, o próprio metrô não havia sido concluído. Das três estações previstas, naquele momento somente uma funcionava. Por isso, o estudo concluiu que, quando os terminais de Águas Claras estivessem em pleno funcionamento, haveria uma maior valorização dos imóveis. Foi o que ocorreu.
A lacuna começou a ser preenchida com o esforço do atual governo do Distrito Federal, que, além de intervir na cidade, com anéis viários e viadutos, viabilizou também novas estações para esse transporte. E em vez das três estações inicialmente previstas, foram instaladas quatro – Arniqueiras, Concessionárias, Estrada Parque e Águas Claras. Esse incremento se somou às obras urbanas ocorridas na cidade entre o ano passado e esse ano, e se completará após a conclusão da Linha Verde, que dará muito mais agilidade ao escoamento do trânsito da cidade.
Expansão
A expansão da linha do metrô no DF, planejada para ocorrer até 2012, além de se configurar num desejo população, é uma necessidade para o desenvolvimento urbano da região. E a ampliação do sistema de transporte já começou a sair do papel, com o lançamento da pré-qualificação das empresas que participarão da licitação para implantar cinco estações – duas em Samambaia, duas em Ceilândia e a primeira da Asa Norte. O processo licitatório em si deve começar ainda em 2009.
Também serão comprados mais 12 trens, vindos de São Paulo. A previsão de chegada é em março do ano que vem. A compra dos vagões e a modernização dos 20 trens atuais custarão R$ 325 milhões. Do montante, R$ 261 milhões serão financiados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o restante será contrapartida do GDF. As obras devem durar dois anos.
Outra prioridade para a expansão do sistema é o Guará, onde há uma estação em construção a 900m da Estação Feira. A obra, orçada em R$ 30 milhões, tem previsão de conclusão em março de 2010. Na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), existe uma estação que não está ainda ativada. Ao todo, serão 29 estações em operação até 2012. Hoje há 23 funcionando. E com isso, espera-se que, a partir de 2011, o metrô seja o principal meio de transporte da capital e que possa beneficiar 300 mil pessoas diariamente.
Futuro Promissor
Como ocorreu em outros centros urbanos, o crescimento tende a acompanhar os eixos do sistema público de transporte. As pessoas buscam, entre outros motivos, morar em lugares onde mais facilmente pode-se pegar o ônibus ou o metrô. Por isso, investir em imóveis cuja localização está próxima ao corredor de transporte estimula a valorização das áreas. Faz o governo criar políticas prevendo infraestrutura e ocupações nos vazios urbanos e esquenta o mercado imobiliário.
|